Regina Motta

CARYBÉ- pequeno peixe amazônico

Este foi o nome de batismo dado pelos escoteiros ao menino Hector Julio Paride Bernabó.
Quinto filho de um casal bastante inquieto Enéa Bernabó, italiano da Toscana e de Constantina Gonzales Barnabó, brasileira residindo na Argentina, Hector nasceu na cidade argentina de Lanus em 7 de fevereiro de 1911. O mais velho dos irmãos Arnaldo nasceu no Brasil, dois outros no Paraguai, ele e a irmã, na Argentina. Com seis meses de idade Hector já acompanhava a família que se mudou para a Itália, residindo em Gênova e depois Roma.


Após a II Guerra a família aportava no Rio de Janeiro, sem trabalho nem moradia.

Constantina com suas habilidades do artesanato e ajudada pelos filhos, mantinha a família. Muito cedo Hector começa a trabalhar. Aprende o ofício de ceramista e muralista com o irmão Arnaldo que reconhece o talento do menor.

Como escoteiro no Clube de Regatas Flamengo recebe o curioso nome de Carybé e o adota de pronto.

Em 1928, aos 17 anos entra para a Escola Nacional de Belas Artes onde não permanece por mais de um ano. Aos 18 anos vai conhecer sua terra natal, para onde a inquieta família retorna.

A crise mundial de 1929 afetou a Argentina. Os irmãos artistas conseguem emprego como ilustradores e publicitários de um jornal em Buenos Aires.

Carybé, também músico, acompanha Carmem Miranda em suas apresentações como pandeirista da banda.

Surge uma oportunidade de conhecer novos lugares, como Montevidéu no Uruguai e Paranaguá, Santos, Belo Horizonte e Salvador, no Brasil.

Aqui se dedica às artes plásticas e apaixona-se pela Bahia. Mas foi em Buenos Aires que realiza sua primeira exposição individual, em 1939.

De volta a Salvador, aprende capoeira e frequenta o candomblé, grandes fontes de inspiração de sua arte. Faz a primeira individual no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1945.
Nas suas idas e vindas, casa-se com Nancy Bailey na Argentina, onde nasce seu primeiro filho.

Em 1949, deixa definitivamente a Argentina, instala-se em Salvador e naturaliza-se brasileiro em 1957.

Dedica-se ao estudo do Candomblé. Com Bolsa de Estudos desenvolve sua arte e é premiado na Bienal Internacional do Livro e Artes Gráficas com o Livro “Deuses Africanos no Candomblé” considerado um dos mais completos estudos da religião africana.

A partir daí sua carreira deslancha. Participa de exposições, Bienais.

Faz o primeiro filme totalmente desenhado a mão. Foram cerca de 1.600 cenas, desenhadas uma a uma, do filme O Cangaceiro sob a direção de Lima Barreto.

A coleção de obras em desenho e pintura intitulada Deuses Africanos no candomblé foi grandemente divulgada nos Estados Unidos com sucesso.

Prêmios e viagens se sucederam. Trabalha como muralista em grandes obras na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e no exterior, no México e Estados Unidos.
Morreu em Salvador, Bahia, aos 86 anos.

Suas obras continuam em grandes exposições no Brasil e no exterior, com grande valorização.

A celebração da vida e o respeito à diversidade cultural são qualidades do artista
Brasília, 7 de maio de 2015.
Regina Motta
REFERÊNCIAS:
-Coleção Itaú Cultural.
-Textos e fotos: Internet

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