Regina Motta

BOSCH, 500 anos de falecimento.

 


A força, determinação e criatividade de Charles De Mooij, curador do pequeno Noodbrabants Museum, tornou real o Projeto BOSCH 500.
Uma das mais importantes exposições dos últimos anos acontece numa pequena cidade da Holanda no período de 2016/2017 para lembrar os 500 do falecimento de Bosch. Hertogenbosch, de apenas cerca de 140 mil habitantes, é berço e âncora de vida de um dos maiores pintores da História da Arte.

 


Jeroen van Aeken nasceu em 1450 na cidade Hertogenbosch, filho de um humilde casal de artesãos pintores. O nome artístico BOSCH foi retirado do nome de sua cidade.
Começa aí a intrigante vida artística do grande mestre.

 


Numa época – como nos dias atuais- em que os artistas migravam pela Europa em busca de novas inspirações, mestres e mecenas, Bosch nunca saiu de sua cidade, morou sempre na mesma rua, manteve os mesmos hábitos. Mesmo assim, na simplicidade, era procurado e adorado por reis, nobres e membros da Igreja. Ganhou dinheiro, mas nunca foi rico. Nada deixou escrito sobre si mesmo ou sobre sua obra, como fizeram alguns mestres dos séculos XV e XVI.
Toda a sua produção é de cerca de 50 obras entre desenhos, gravuras e 45 pinturas, abrigadas em 10 países, 2 continentes, 18 cidades e em 20 coleções.
Filipi II, rei da Espanha foi um dos seus maiores admiradores, daí ser aquele país onde se encontra grande parte de suas obras.
Os temas trabalhados pelo artista eram os mais excêntricos para a cultura dos séculos XV/XVI. Pintando para a Igreja, não temia em povoar sua obra sacra com seres atormentados, alucinantes, grotescos, satânicos, sereias sensuais, porcos com feições humanas, monstros que seriam uma crítica à simbologia da Igreja Católica.

 


Escapou da Inquisição embora tenha sido considerado suspeito de pertencer a seitas que se dedicavam às ciências ocultas, magia e alquimia.
Excelente desenhista com técnica apurada, sua obra era iniciada com desenhos pintados sobre a tela em traços preto, branco e cinza e posteriormente coloridos e trabalhados em seus mínimos detalhes.
Salvador Dalí (ver posts de 27/02/2013; 26/05/2014; 12/07/2014) estudioso e admirador da obra de Bosch, especialmente do tríptico “Jardim das Delícias” certamente nela se inspirou e tirou vários conceitos para a criação do Surrealismo.
Voltemos às atividades programadas para o Projeto BOSCH 500.
Bosch faleceu aos 65 anos, em 9 de agosto de 1516, na cidade onde nasceu e viveu.
A pequena cidade não tinha verba suficiente para promover evento de grande magnitude que o mestre merecia. E o museu da cidade não possuía nenhuma obra de seu filho famoso.
De Mooij elaborou o Projeto BOSCH 500 e assim contatou os maiores museus internacionais que abrigavam obras de Bosch, entre eles o Louvre em Paris, o Prado em Madri, a Accademia em Veneza, o Metropolitan em Nova York, o National Gallery of Art em Washington e conseguiu o empréstimo de quase o total das obras produzidas pelo mestre.]
Em contrapartida ofereceu aos museus através do ‘Projeto de Pesquisa e Conservação Bosch’ (2007) promover a autenticação, a pesquisa e restauração das obras com equipamentos de última geração em fotografia infravermelha e criando um banco de dados que será oferecido aos museus sobre toda a produção do artista.
Serão feitas projeções em 3D sobre as fachadas dos prédios, museu e Catedral da cidade e uma performance foi encomendada ao cineasta Peter Greenway, formando a Maratona de festividades BOSCH 500.
E tudo deu certo!

REFERÊNCIAS:
-Correio Braziliense- Caderno Arte e Diversão, pg.1, de 10 de janeiro de 2016, texto de Nahima Maciel;
-Histoire Intégrale de L´art, La Peinture Gothique I, pg,153- Ed. Amboisienne, Milão;
-Fotos : Internet.

Regina Motta
Brasília, 11 de janeiro de 2016.

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