Regina Motta

Barroco Mineiro 1ª parte


A palavra barroco surgiu por analogia a uma pérola de exuberante conformação irregular vinda do oriente. Ou, como afirmam outros, por se referir a uma forma rebuscada de raciocínio escolástico. Tanto faz, não é importante para nós!
O Barroco chega à América Latina, diretamente de Portugal especialmente ao Brasil, por volta de 1600 trazido pelos jesuítas e foi se amoldando às características da cultura brasileira.
A região das minas, no centro do estado de Minas Gerais foi, nos meados do Século XVII e início do século XVIII, o berço de uma cultura que despontou como a primeira e mais forte influência na arquitetura das igrejas em Ouro Preto, antiga VIla Rica (1711), Mariana, Congonhas, Sabará e Tiradentes, São João Del Rei e Diamantina.
Com a corrida do ouro no século XVIII, especialmente nos vales e montanhas de Minas Gerais, vários povos de diferentes regiões, de origens diversas, porém com o mesmo objetivo de riqueza e progresso acorreram ao local. Definiu-se uma sociedade irrequieta, rebelde contra as imposições da Coroa Portuguesa, criativa, dinâmica e organizada.

Como resultado dessa integração, surgiram conjuntos urbanos com edificações adaptadas às dificuldades do relevo, à escassez de materiais convencionais e à necessidade da população crescente. Ergueram-se as casas, as Igrejas, a Cadeia, a Casa da Câmara e a Escola.

O Barroco se desenvolve singularmente, absorvendo as características das culturas plurais que acorriam às montanhas e minas de ouro e pedras preciosas. Vários artesãos chegaram com seus ofícios para atenderem às necessidades das construções emergentes. Assim grandes mestres se formaram a partir do conhecimento dos portugueses, porém com as adaptações aos materiais locais disponíveis. Os escultores usaram a pedra sabão no lugar de mármores, os adobeiros faziam as grossas paredes das casas com taipa e barro, os cantareiros erguiam muros, calçavam ruas com pedras talhadas das pedreiras ao redor, os ferreiros forjavam belas peças, gonzos, fechaduras, trancas com o rico minério, os marceneiros talhavam belas portas e janelas características do local, os esteireiros especialistas em madeira para formarem os suportes dos telhados onde trabalhavam os oleiros, fazendo as telhas e beirais.
Era um celeiro de mestres e aprendizes. E finalmente, entravam os escultores e os pintores e os prateiros que davam o acabamento às belas construções.
Enquanto a Europa introduzia as composições neoclássicas, no Brasil o Barroco permanecia se firmando com características singulares, mistas do Rococó europeu.
Surgia O BARROCO MINEIRO.
Grandes mestres, expoentes dessa arte brasileira, trabalharam nas belas formas da arquitetura, pintura e escultura barrocas.
A cidade de Ouro Preto foi, em 1981, elevada pela UNESCO a categoria de Cidade Monumento Mundial. Certamente é uma maneira de se preservar o riquíssimo acervo, desde que já se perdeu cerca de 60% do patrimônio de imóveis residenciais, iconográfico como imagens, móveis religiosos, prataria e pinturas.
Merecem uma atenção especial Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e Manuel da Costa Athayde, respectivamente, escultor e pintor da obra prima da arte barroca mineira, a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. A Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo abriga, junto com a Via Sacra, o maior acervo de obras de Aleijadinho assunto do nosso próximo encontro.

REFERÊNCIAS:
BARROCO MINEIRO- Publicação Fundação Clóvis Salgado- Belo Horizonte- Minas Gerais
Wikipédia – Barroco Mineiro
Nelson Mendes- Características do Barroco-
Fotos: internet
Fundação Clovis Salgado

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