Regina Motta

Arte Sacra Brasileira

A visita do Papa Francisco despertou uma curiosidade popular sobre a Arte Sacra Brasileira.

O Governo brasileiro ofereceu ao eminente visitante uma bela escultura “O Frade”, de autoria de Fabio Turín. O artista curitibano falecido em 1946 deixou valioso acervo em moldes de gesso. Na época, não teve recursos para fundir em bronze as suas obras. Recém-descobertas, estão sendo produzidas e obtendo merecido sucesso.

A obra sacra brasileira se destacou nos séculos XVII e XVIII com grandes mestres do Barroco, mais tarde denominado Barroco Brasileiro devido às suas características especiais.

Entre os séculos VXII e XIX Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco foram os grandes centros da Arte Sacra, com muitas centenas de Igrejas ricamente decoradas. São belíssimas obras de arquitetura de grande importância na História da Arte Arquitetônica Brasileira.

Decoravam-se as igrejas com ricos trabalhos em madeira, pedra sabão, pinturas, prata  e muito ouro. Impossível seria descrever todos os belos exemplos dessa arte brasileira. Assim sendo escolhemos algumas igrejas de cada região. O critério foi bastante subjetivo. Desculpem.

Na Bahia, em Salvador, onde existem 365 Igrejas construídas entre os séculos XVII e XIX, escolhemos a Igreja de São Francisco, toda recoberta em folhas de ouro, com iconografia riquíssima.

Em Minas Gerais, na cidade de Ouro Preto, optamos pela Igreja de São Francisco de Assis, cujo interior é todo folheado a ouro e tem belíssimo portal, assim como o da Igreja do Carmo. Congonhas do Campo exibe, na escadaria da Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, a bela série de esculturas dos doze Profetas, obra prima em pedra sabão; e logo ao lado, a Via Sacra, em madeira policromada, obras de Aleijadinho. Sabará, Mariana e Tiradentes, embora em menor número, mas não menor qualidade e beleza, também exibem obras sacras do Barroco Mineiro.

Aleijadinho, cujo nome é Antônio Francisco Lisboa é, na verdade, uma figura muito discutida, quase lendária. Conta-se que nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, em 1730 e faleceu na mesma cidade em 1814 aos 83 anos. Mulato, artista nato, iniciou suas atividades como ajudante e logo se destacou pela originalidade de suas criações. Diz-se contraiu lepra aos trinta anos e passou a trabalhar com as ferramentas amarradas em seus pulsos, daí o nome de Aleijadinho. Trabalhava com a mesma desenvoltura a madeira e a pedra sabão, rico material geológico da região mineira.

Em Minas Gerais, mais recente, em Belo Horizonte, encontra-se a obra prima de Cândido Portinari , a Igreja da Pampulha- ver matéria postada em 20 de novembro de 2012.

No Rio de Janeiro destacou-se o Mestre Valentim. Valentim da Fonseca e Silva nasceu em Minas Gerais, formou-se em Artes em Portugal e estabeleceu-se definitivamente no Rio de Janeiro onde trabalhou com a Corte Imperial. Destacou-se nas construções do Passeio Público e do famoso Chafariz da Pirâmide, no Paço Imperial.

Entre outros lindos monumentos, como a Igreja do Carmo, a antiga Catedral e a Igrejinha da Glória, está o Mosteiro de São Bento cujo interior todo folheado a ouro representa a Arte Sacra Barroca no Rio de Janeiro.

Em Pernambuco, no Recife, destacamos a Igreja de São Francisco e a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes. Esta última belíssima obra do século XVII ricamente decorada  com paredes forradas de azulejos.

A Catedral de Brasília, no Distrito Federal, é um monumento de arte moderna. Projetada por Oscar Niemeyer é uma prece em concreto e vidro. Em seu sóbrio interior destacam-se a Via Sacra pintada por Athos Bulcão e os magníficos Anjos que flutuam no espaço, esculturas em bronze de Alfredo Ceschiatti. No adro estão como sentinelas, as imponentes esculturas dos quatro Evangelistas, também criados por Ceschiatti.

Ainda em Brasília, no paralelo 15º, nas margens do lago Paranoá, está a singela Ermida Dom Bosco, em  homenagem ao Padre João Belchior Bosco cujo sonho premonitório indicava o local onde deveria ser construída a nova Capital. Projetada por Niemeyer, a Ermida abriga a imagem de Dom Bosco, escultura dos artistas italianos, irmãos Arreghini. A imagem foi produzida na Itália e trazida ao Brasil em 1962.

A crença e fé populares ergueram em Juazeiro do Norte, Ceará, uma imponente imagem do “Padim Ciço”, um dos maiores símbolos da religiosidade nordestina em homenagem ao humilde Padre Cícero.

A iconografia Sacra brasileira é riquíssima.

Victor Meirelles foi o artista que em 1861 pintou a famosa e bela obra “A Primeira Missa no Brasil”. Porém, nos dois séculos anteriores, no interior de Minas, Pernambuco, Bahia e no Rio de Janeiro, ricas obras eram produzias por artistas dedicados à arte Sacra. No interior das Igrejas, capelas laterais e cúpulas eram ricamente pintadas. Imagens de Santos eram esculpidas, ora revestidas de ouro, ora policromadas sobre madeira com detalhes em ouro. Vias Sacras se destacavam em muros ricamente adornados. Foi a era de Ouro da Arte Barroca Brasileira.

Em Brasília, entre outros, três artistas se destacam na Arte Sacra. Marlène Godoy- ver matéria de 04 de janeiro de 2013- Gilberto Mello, o artista dos São Francisco e Glênio Bianchetti, cuja Via Sacra encontra-se em Bagé, no Rio Grande do Sul.

Os paramentos da Igreja dos séculos XVII ao XIX são peças de beleza e riqueza nos seus  tecidos e bordados. Notáveis são os ostensórios, os cálices, castiçais e os incensários da mesma época, confeccionados em prata e ouro, algumas vezes cravejados de pedras preciosas.

Vários Museus de Arte Sacra no país preservam estas riquezas que contam a história da nossa colonização.

REFERÊNCIAS:

-ARTE SACRA CONTEMPORÂNEA- Marléne Godoy.

-VIA SACRA DE BAGÉ- Glênio Biachetti.

-ARTE SACRA DE PORTINARI- Apresentação de A. A. Lima

Ed. Alumbramento/RJ- 1982.

-BARROCO MINEIRO- Fundação Clovis Salgado- Belo Horizonte/MG-

-FOTOS- internet

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