Regina Motta

ANITA MALFATI – a artista símbolo da defesa do Modernismo no Brasil

Em abril de 1917 a arte brasileira foi sacudida pela “Exposição de Pinturas Modernas” de uma jovem pintora brasileira, ANITA MALFATTI.

Foi o primeiro passo para o movimento que explodiu em fevereiro de 1922, A Semana Da Arte Moderna, realizada em São Paulo.

ANITA CATARINA MALFATTI nasceu em 2 de dezembro de 1889, na capital São Paulo, segunda filha do arquiteto italiano Samuelle Malfatti e da professora de arte, a norte americana Eleonor Elizabeth (Beth) Krug.

Aos três anos de idade a família viaja para Luca, na Itália, onde a criança se submete a uma cirurgia de correção de um defeito congênito no braço e mão esquerdos. A operação não obteve o sucesso esperado e a dificuldade de se adaptar à deficiência marcou a jovem por toda sua vida.

Em 1901, com a morte prematura de seu pai, a família retorna ao Brasil.


No depoimento em 25 de outubro de 1951, em conferência na Pinacoteca do Estado de São Paulo, ANITA declara que decidiu que seria artista aos 13 anos. Numa experiência excêntrica e perigosa, ela deitou-se sobre os dormentes da linha férrea que passava junto de sua casa e aguardou encolhida a passagem do comboio. Emoção indescritível segundo ela, o ruído ensurdecedor, o vento, o deslocamento de ar, o calor e as vibrações coloridas das fagulhas provocadas pelo atrito das rodas da composição em velocidade sobre os trilhos. Saiu dali decidida que trabalharia com as cores que havia visto.

Em 2010, patrocinada por seu tio e padrinho Jorge Krug, seguiu para a Alemanha para estudar pintura com grandes mestres Lovis Corinth e Fritz Burger entre outros. Retorna ao Brasil em 1914.

Entre 1915 e 1916 estuda desenho e composição nos Estados Unidos. O contraste entre as duas culturas, a alemã e a norte-americana dão a ela uma sensação desconhecida até então, a liberdade da criação sob a orientação de Homer Boss.

Cheia de energia e de quadros, chega ao Brasil em 1917 e imediatamente expõe suas obras como artista de vanguarda, em São Paulo: “Exposição de Pintura Moderna”.

A ruptura provocada por sua arte provoca uma revolução nos conceitos e regras da pintura acadêmica. Elogios, admiração surgem nos meios culturais. Crítica ferrenha nasce de Monteiro Lobato na coluna d´O estado de São Paulo, com o título “Paranoia ou Mistificação?”. A jovem artista fica chocada, é defendida por Oswald de Andrade e Mario de Andrade. Estava criada a polêmica que desaguaria em 1920, durante a segunda exposição individual da artista e seria o embrião de um dos mais importantes movimentos da história da arte brasileira. Juntaram-se aos três jovens Menotti Del Picchia e Tarcila do Amaral criando o Grupo dos Cinco que trabalhariam para a eclosão do Movimento de 1922, A Semana da Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo. Anita atuou com entusiasmo, representou os artistas plásticos e consolidou-se como elemento catalisador da Semana de 1922 e introdutora da arte moderna no país.
Participaram do movimento além do grupo dos Cinco, Heitor Villa Lobos, DI Cavalcanti, Victor Brecheret entre outros.

Mas ANITA traria consigo a mágoa da crítica e o desapontamento com seu trabalho. Continuou produzindo e entre 1923 e 1928 estudou e expôs em Paris onde era reconhecida como artista de vanguarda.

Em 1929, expõe em Nova York, retorna ao Brasil e leciona pintura como sua mãe. Em 1949 apresenta individual no MASP/SP e em 1951 participa da I Bienal de São Paulo.

Em 1955 ainda decepcionada com o amigo Mario de Andrade responde as crítica com uma exposição no MASP/SP intitulada “Tomei a Liberdade De Pintar a Meu Modo” com telas retratando o interior do Brasil, seus costumes, em estilo quase Naif.

Em 1963, a VII Bienal de São Paulo organiza a “Sala Especial ANITA MALFATTI”.

ANITA MALFATTI faleceu em 6 de novembro de 1964, em São Paulo, às vésperas de completar 75 anos de idade.

Sua obra, marco entre o desconhecido e o novo, constitui inegável contribuição para a cultura brasileira.

Pode-se hoje imaginar a dificuldade de uma jovem artista no início do século XX afirmar-se como precursora de uma época, uma iniciadora de uma escola de vanguarda na sociedade conservadora brasileira, sobretudo em São Paulo.

REFERÊNCIAS:
-ANITA MALFATTI- Itaú Cultural/ Folha de São Paulo. 1913
ANITA MALFATTI- 120 anos de nascimento-2010 Exposição CCBB
Por Luzia Portinari Greggio.
-ANITA MALFATTI- Pinacoteca de São Paulo
Fotos :Internet

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