Regina Motta

ALDEMIR MARTINS


Artista múltiplo, Aldemir Martins foi desenhista, ilustrador, gravador em xilogravura, litografia, metal, serigrafia, ceramista e pintor.


Nasceu em 8 de fevereiro de 1922 , em Ingazeira, no vale do Cariri no Ceará.
Filho de nordestino e indígena tinha a riqueza genética da miscigenação de raças. Era sagaz, inteligentíssimo.


Leitor voraz possuía uma biblioteca com cerca de 4.000 livros. Sua formação artística foi totalmente autodidata, embora tenha recebido títulos “honoris causa” de grandes Universidades e tenha sido professor de gravura no Museu de Arte Moderna de São Paulo-MASP, em São Paulo.


Com vasta obra em diversas técnicas, era apaixonado pelo desenho que dizia ser o esqueleto da obra. A temática foi sempre a natureza, o homem, os animais, frutos e flores. O personagem onipresente era o gato. Com a fleuma característica, o animal era desenhado, gravado, pintado, ilustrado em preto e branco ou colorido. Seguiam-se os pássaros, os peixes e frutos nordestinos. Seus cangaceiros nunca eram agressivos. Apresentava-os filosóficos, pacíficos, quietos. As paisagens sempre abertas, ensolaradas, tranquilas.O colorido dos desenhos eram obtidos com nankin de cor, técnica oriental que aprendeu com amigos japoneses, como Manabu Mabe de quem sofreu notável influência.As pinturas eram em acrílica.

Aldemir era de fácil e fiel amizade. Jorge Amado, Antonio Bandeira, Mario Barata, João Siqueira, Manabu Mabe estão entre os mais próximos.

Na infância simples em sua cidade natal desenhava sem parar tudo que via. Serviu ao Exército e chegou a cabo. Jovem, participou da criação do grupo ARTYS e da SCAP- Sociedade Cearense de Artes Plásticas.

Aos 17 anos seguiu para o Rio de Janeiro onde chegou de navio com a roupa do corpo. Foi acolhido por Antonio Bandeira e lá fez os primeiros contatos na área artística. Participou e foi premiado no Salão Nacional de Belas Artes.

Em 1940 em pau de arara e caronas percorreu o sertão.

Em 1946 radicou-se em São Paulo de onde partia em viagem aos estados do sudeste e aos Estados Unidos, China e Japão.

Sua carreira deslanchou, sendo reconhecido no Brasil e no Exterior. Recebia inúmeras encomendas, o que achava desafiador.

Participou de Salões nacionais e internacionais. Selecionado ou convidado para Bienais, foi premiado na Bienal de São Paulo, na Bienal de Veneza( 1952). Na I Bienal de São Paulo(1951), Aldemir Martins não só participou, mas trabalhou braçalmente, no desempacotamento das obras, limpeza do espaço, varrendo chão, lavando vidros, instalando as obras, muito entusiasmado. Foi premiado na II Bienal de São Paulo (1953).

Em 2007 foi realizada uma exposição retrospectiva dos setenta anos de sua produção artística no Museu de Arte Moderna de São Paulo-MASP.

Com a alta qualidade artística e técnica de suas obras Aldemir Martins atravessou as fronteiras nacionais e internacionais. Divulgou o “ser” brasileiro, o homem, os animais, os frutos e flores, as paisagens nordestinas.

Aldemir Martins faleceu em 5 de fevereiro de 2006, vítima de ataque cardíaco, aos 83 anos.

“Na pintura, sou eu, a tinta, o pincel e a tela em um trabalho que divido em duas etapas: a intelectual e a braçal. Uma se refere à elaboração da ideia, a outra à concretização do que foi concebido na sua imaginação. Nesse processo a criação torna o homem semelhante a Deus”.
Aldemir Martins

REFERÊNCIAS:
-Contando a Arte de ALDEMIR MARTINS- Rubens Matuck-Oscar D´Ambrósio-
Editora NOOVHA AMERICA- 2007
-No Lápis da Vida não Tem Borracha- Rubens Matuck-Editora Callis-SP
Fotos INTERNET.

2 Responses para “ALDEMIR MARTINS”

  1. Cléa Sá
    Clea
    09/08/2014 at 13:29 #

    Bom você nos trazer o Aldemir Martins. Parabéns pela matéria que está bonita de dar gosto.Abraços
    Cléa

    • Regina Motta
      Regina Motta
      10/08/2014 at 21:02 #

      Cléa, obrigada. A obra de Aldemir Martins nos torna mais brasileiros.
      Abraço, Regina