Regina Motta

A iconografia de Madona na História da Arte

No Natal comemora-se o nascimento do Cristo. A imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus nos braços é vista e reverenciada em todo o mundo cristão.

A palavra MADONA vem da língua italiana e se refere à Nossa Senhora, ou Virgem Maria com o Menino, em toda sua serenidade e beleza.

Na História da Arte encontramos a figura da MADONA em quase todos os continentes do Planeta. A iconografia de cada região traduz vivamente a cultura e a história de seus povos.

As técnicas artísticas variam desde a encáustica e o mosaico primitivos nos séculos VII e IX, pintura em retábulos ou sobre telas nos séculos XII a XVII, madeira policromada, no século XVIII e chegamos novamente à encáustica no século XX. Na pequena excursão que fizemos pela História, apresentamos imagens de artistas mundialmente conhecidos, como o francês, português, espanhol, flamengo, brasileiros e os mestres italianos. Pequenos comentários acompanham as reproduções visando o melhor entendimento desta incrível iconografia que atravessou séculos.

As MADONAS Bizantinas são as mais antigas e algumas não datadas. A primeira que se tem registro encontra-se em Roma, data do século VII (fig.1), é trabalhada sobre madeira em encáustica. A seguinte, (Fig.2 ) é em mosaico com ouro, data do século IX e encontra-se na Turquia. Datada do Século XII é a MADONA DE VLADIMIR (fig.4), de artista russo.

As MADONAS Bizantinas traziam o semblante sério, olhos escuros e vestes negras com bordados dourados. O Menino era envolto em túnicas douradas.

Na Itália dos Séculos XV e XVI surgem as mais belas representações de MADONAS, porém com características bastante particulares. FRA ANGÉLICO (fig.5) pinta sua MADONA (uma entre muitas) com tez alva, cabelos louros, semblante suave. Traja túnica e véu em azul e vermelho, e auréola sobre a cabeça.

Já na França, na mesma época, FOUQUET ousa mostrando a MADONA (fig.6) com seio túrgido desnudo, tez clara e olhar baixado para o Menino que está sério e nu. A Virgem traz a cabeça coroada como as rainhas da época e anjos vermelhos completam o ambiente. A túnica é justa, quase um corpete e o manto branco drapeado cai farto envolvendo os joelhos. Um delicado véu desce da coroa até as costas. Extremamente original.

Na Itália do século XVI, DEL SARTO pinta sua MADONA (fig.8) acompanhada de dois Santos. A Virgem tem a pele clara e olhos e cabelos escuros. Traz o Menino nu em seu braço direito e um livro fortemente seguro na mão esquerda. O olhar baixo condiz com o semblante sério e diverge do Menino que ensaia um sorriso brejeiro. O manto vermelho e amarelo cai sobre a túnica azul, sem enfeites. O véu é branco, simples.

Continuando na Itália do séc. XVI, a MADONA de BELLINI (fig.9) é suave e maternal, protegendo o Menino que dorme nu em seu colo. O fundo com a paisagem de um vilarejo é o diferencial, com animais pastando e prédios ao longe. A Virgem é morena e suas vestes tradicionais em vermelho e azul, véu branco, sem bordados.

CORREGIO faz a MADONA doce e alegre (fig.10). Ela oferece o seio ao Menino que sorri e brinca com o anjo. A face morena e maternal, olhos e cabelos escuros, sorriso carinhoso tornam, a cena encantadora. O fundo escuro faz sobressair a luz do corpinho nu do Menino.

Ainda na Itália, no mesmo século, RAPHAEL, o famoso pintor das MADONAS apresenta nesta que escolhemos (fig.11) semblante suave com olhos que pousam sobre o Menino que segura a mão de Sua Mãe. Carinhosamente a Virgem mostra um livro que o Menino parece abençoar. Ao fundo, um lago e linda paisagem transmitem a paz da cena. O manto escuro da Virgem pousa sobre sua cabeça e desce pelos ombros sobre a túnica vermelha.

Na Espanha, no século XVII, MURILLO apresenta ambiente com fundo escuro e a MADONA (fig.12) e o Menino banhados de luz. Cabelos e olhos escuros, vestes nas cores tradicionais, o espanhol traz á cena maior calor humano.

As Madonas aqui apresentadas, dos séculos XVI e XVII, não eram pintadas com auréolas.

Chegamos ao Brasil do século XVIII, com o BARROCO MINEIRO. A escultura em madeira policromada (fig.13) representa a MADONA em postura inusitada, braços livres, sorridente, morena de cabelos escuros, soltos, leves, olhos elevados ao céu. O traje imita adamascado em dourados e o Menino, coroado e em pé no chão, rodeado de anjos, puxa as vestes da Virgem.

Num salto de século, técnica e criatividade, MARLÈNE GODOY, de Brasília, Brasil, apresenta a MADONA da atualidade (fig.16), a Virgem da Ecologia. Trabalhada em encáustica sobre placa de pau Brasil recolhido no mato, em lascas. A MADONA com belos olhos traz a fisionomia pacífica, mas não indiferente. O Menino envolvido em seus braços traja túnica verde forte.

Este é um convite a todos que se interessam pela ICONOGRAFIA DA MADONA para continuarem as pesquisas sobre o assunto. Aqui foi uma pequena mostra da beleza destas obras. São centenas de MADONAS, por todos os continentes. É interessante destacar que são chamadas de MADONAS as imagens em que a Virgem está com o Menino Jesus. Portanto, as Virgens de Fátima, Aparecida, Guadalupe, Conceição, Lourdes, embora belíssimas e com grande número de devotos são imagens de Nossa Senhora, ou Virgem Maria, mas não são consideradas, para fins de iconografia, como MADONAS.

Fontes:

HISTOIRE INTÉGRALE DE L´ART. Grafiche Editoriali Ambrosineane à Milan.

Èditions Rencontre Lausanne, 1965.

Volumes:

La Peinture Gothique I et II; Le XVII siècle I et II; Le XVIII siècle; La Renaissance I, II ET III.

Fotos Internet.

Catálogos de Artistas Diversos e Livros de Arte Sacra.

2 Responses para “A iconografia de Madona na História da Arte”

  1. Gustavo Novais
    26/02/2016 at 10:21 #

    Cleaecia, procurava fazer um TCC Sobre o desenvolvimento estético das madonas na historia da arte,
    como ainda não tinha nenhuma referencia bibliográfica, procurei buscar na internet e gostei muito do que escreveu, os livros de suas referencias podem ser encontrados em português? Poderia me dar algumas dicas? Obrigado.

    • Regina Motta
      REGINA MOTTA
      07/03/2016 at 09:37 #

      Gustavo Novais,

      obrigada pelo seu comentário e desculpe pela demora em responde-lo.
      Fiz uma pesquisa sobre obras em português e não fiquei muito animada.
      A Coleção a que me refiro no blog não tem tradução para o Português.É uma pena pois são 27 volumes ilustrados em ótima encadernação e precioso texto. Abrange desde a Pré-História até a Arte Contemporânea.

      Você está preparando o TCC e já deve ter passado pela Cadeira História da Arte.
      Talvez tenha estudado a obra HISTÓRIA DA ARTE de Gombrich-Ernest Hans. Se não, recomendo que a pesquise, na nova edição( capa cinza). Você não vai encontrar nada exatamente sobre as Madonas, mas vai enriquecer seu trabalho
      .
      A matéria que você leu no blog é o resumo de longa pesquisa em Museus, livros de Arte e artigos publicados ao longo de anos.

      Vou recomendar um livro que creio seja difícil de encontrar, sobre a iconografia russa, uma das mais ricas do mundo. É em russo, sem tradução , mas com belíssimas ilustracões. Os caracteres que vou digitar são os mais semelhantes ao da lingua russa, portanto, não vão te ajudar muito: MOCKOBCKAR, IIIKOJIA NKOHOIINCN. da Moscow School of ICON- Painting.Edição de 1978.

      No Blog, na Coluna DE ARTE E DE ARTISTAS, sob minha responsabilidade, você pode encontrar referências ao tema. Procure nos “posts” PORTINARI em 20/11/2012; MARLENE GODOY em 04/01/2013; BARROCO MINEIRO em 06/01/2014 e 28/1/2014; GALENO, em 11/09/2014.

      Acesse o link GOOGLE MUSEUS, visita virtual- e busque o LOUVRE (Paris), O PRADO(Madri), O BRITÂNICO (Londres). O UFFISI (Florença), o METROPOLITAN (Nova York), O História da PIntura (Viena). neles procure as obras de RAPHAEL, DA VINCI, TICIANO e Renasncentistas.

      Gustavo, boa sorte no seu trabalho, espero ter ajudado um pouco.
      Sempre à sua disposição,
      Abraço,
      Regina Motta