Regina Motta

A Arte de Gravar

 

A gravura é a arte mais antiga produzida pelo homem.

As primeiras manifestações artísticas do homem (por volta de 10.000 a 5.000 anos a.C) foram gravações em madeira – Xilogravura –que tratamos em nossa coluna em 06/11/2012- e em pedra nas grutas pré-históricas da França Meridional, no Egito, na Pérsia e na Espanha.

A gravura que conheceremos hoje é a Gravura em Metal ou Calcografia. Há divergência quanto à data em que surgiram as primeiras placas metálicas gravadas e impressas.

Inventada por Finiguera, ourives florentino, por volta de 1452, a arte de gravar  espalhou-se pela Itália e em seguida pela Alemanha. O gravador alemão Albert Dürer é considerado o maior gravador de todos os tempos.

A popularidade desta técnica se deve às Cartas de Baralho, muito comuns no século XV.

No século XVI a Arte da Gravura  espalhou-se pelos Países Baixos e França, ainda com as Cartas de Baralho e a impressão de imagens religiosas.

O apogeu se encontra no século XVII, nos Países Baixos, com Rubens, Rembrandt, Van Dick e  no século seguinte com Goya, na Espanha.

A introdução da gravura em metal no Brasil se deu no século XVIII, possivelmente com Frei Alexandre de Gusmão.

A chegada da Corte ao Brasil, trazendo a Missão Artística Francesa, 1816, com os artistas Rugendas e Debret, entre outros,  e a criação da Imprensa Régia fortaleceu a divulgação da Arte.

No entanto, a gravura brasileira se desenvolveu no século XX com o trabalho e dedicação de Carlos Oswald, nascido em Florença, mas registrado brasileiro no Consulado em Florença, vindo definitivamente para o Brasil aos 24 anos. Excepcional artista, foi professor, pintor, desenhista, projetista e gravador.

A gravura brasileira em metal é hoje divulgada, apreciada e respeitada nos círculos artísticos nacionais e internacionais.

As técnicas da gravação em metal são artesanais, trabalhosas e cheias de detalhes. Os gravadores costumam se referir a elas como “A Cozinha da Gravura”.

São várias, cada uma com um efeito definido.

Tentarei, em poucas palavras, transmitir o processo da Arte de Gravar em Metal.

Antes de iniciar-se o trabalho artístico da GRAVAÇÃO é necessária a preparação da MATRIZ, placas ou pranchas em cobre, latão ou zinco. Limam-se as bordas, removem-se todas as sujidades e faz-se o polimento da superfície.  O verso da placa deve ser protegido com uma camada espessa de betume ou Neutrol.

Os papéis devem estar cortados e preparados para a gravação assim como o banho de ácido mordente.

A PONTA SECA é trabalhada com a ponta de aço diretamente sobre a placa. O traço é aveludado e muito bonito. Efeitos similares são obtidos com o buril.

A ÁGUA FORTE, mais trabalhosa, é feita sobre a placa coberta de cera aquecida e posteriormente esfumaçada. Desenha-se sobre esta superfície, retirando-se a cera. Leva-se ao banho de ácido. As linhas ficam bastante nítidas, precisas.

A ÁGUA TINTA é feita colocando-se a placa em uma trempe, espalha-se uma fina camada de breu sobre ela e em seguida, aquecendo-se a placa, obtém-se minúsculos grãos que darão os tons “aquarelados” na placa.

A moderna FOTO GRAVURA é feita a partir de fotos e gravadas em água forte ou água tinta.

O RELÊVO é obtido pela exposição mais demorada da matriz ao ácido mordente.

Após a gravação devem  ser retirados a cera, o breu, o verniz, até se obter uma superfície limpa e brilhante. Procede-se então à ENTINTAGEM que pode ser em uma cor ou várias, utilizando-se diversas placas ou  máscaras para entintar.

Todas as técnicas tem uma mesma maneira de IMPRIMIR. Usa-se a prensa com pressão mecânica (ou elétrica) colocando-se a placa entintada e livre de qualquer outro resíduo sobre uma folha de referência, com a superfície entintada e limpa virada para cima. Coloca-se o papel úmido sobre o trabalho, acertando-se o enquadramento. Por cima usa-se um feltro espesso para forçar que a tinta entre na gravação e seja o desenho reproduzido com perfeição. Roda-se a prensa e retira-se o papel  gravado, cuidadosamente. Quando seca a obra, assina-se,  numera-se e identifica-se cada peça, pois são múltiplos originais.

Entre os grandes mestres desta Arte no Brasil nos séculos XX e XXI, podemos citar, além de Carlos Oswald, Carlos Martins, Orlando da Silva, Lêda Watson, Renina Katz, Fayga Ostrower, Anna Bella Geiger, Thereza Miranda, Darel Valença, Rossini Perez, Marcelo Grassman, de uma enorme lista de artistas que se dedicam à arte de gravar em metal.

Apreciem algumas reproduções que identificam as técnicas utilizadas pelos artistas.

Referências:

“Evolução Histórica da Gravura”- Plínio Salgado-1974;

“Introdução ao Conhecimento da Gravura em Metal”- projeto MNBA- EXTRAMUROS-

Carlos Martins- 1980;

“CARLOS OSWALD- o resgate de um Mestre” CAIXA Cultural, Brasília/DF- 2011

“Emoções” Gravuras- LÊDA WATSON, Brasília/DF-2007

Uma opinião para “A Arte de Gravar”

  1. Cléa Sá
    Cléa Sá
    17/03/2013 at 19:18 #

    Belo trabalho, Regina. Parabéns pela escolha do tema e pelos artistas que você nos mostrou.Especialmente dos seus. Um abraço
    Cléa