Cléa Sá

Daqui do meu canto

Novembro, 2013

. Esta semana, no dia 21, o Congresso anulou a sessão realizada também pelo Congresso brasileiro em 1º de abril de 1964 quando declarou vaga a presidência da República ocupada pelo presidente João Goulart, legalizando o golpe dado naquele dia. Vi gente reclamando. Aparentemente não muda nada. O tempo não volta. Mas acho que é importante fazer justiça a um presidente eleito e deposto. Fiquei feliz de verdade.

. Ontem foi o dia de audiência pública no Supremo Tribunal Federal sobre a questão das biografias, promovida pela ministra Carmen Lúcia. Trata-se de mudar dispositivo do Código Penal, a pedido de uma organização de editores, que como está redigida atualmente deixa margem a que biografias sejam impedidas de circular dependendo da vontade do biografado ou de seus herdeiros. Há muita discussão, muita gente boa dos dois lados. Acredito que a a balança vai pender em favor da total liberdade de criação. É o que penso e desejo.

. Não acredito que a punição com a prisão dos condenados na Ação Penal 470, apelidada mensalão, mude de imediato os costumes políticos do país. Muita água ainda vai correr. Mas pode ser que agora, vista de perto pelas autoridades que visitam os condenados, a situação dos presídios brasileiros, que é de de total calamidade, possa ser enxergada. Nossos condenados vivem em um inferno, literalmente. Conheço um rapaz que mal saído da adolescência foi preso por vender maconha, me parece que para pagar dívida de consumo. Pois bem, admitamos que errou e foi punido. Pobre, não tinha advogado e amargou nem sei quantos anos de prisão, de três tenho certeza. Agora, já cumprida toda a sentença, permanece preso. Não tem advogado.

. Leio um artigo de Fernando Gabeira, “Notas sobre o fim do mensalão”, reproduzido por um blog. Equilibrado, me pareceu. Não me surpreendeu, já que normalmente gosto do estilo e das opiniões do Gabeira. O que me assustou foi a raiva e a maldade dos comentários dos leitores do blog com relação ao articulista. Pura baixaria. Na época da ditadura, quando havia muito desmando, e havia umas bobagens que chegavam a ser engraçadoa, o Stanislaw Ponte Preta escrevia “estamos indo para o perigoso caminho da galhofa”. Agora nós estamos indo para o perigoso caminho do extremado radicalismo. E também para um tempo de falta de delicadeza, de urbanidade, de não aceitação de opiniões divergentes. Que Deus nos ajude.

. E pra não dizer que não falei de flores, vi o nascimento de uma ilha pela televisão. Foi lá no Japão, causado por uma erupção vulcânica. Lindo!

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