Cléa Sá

Curtas

. Beatriz, chamada Bia, tem 11 anos e a escuto perguntando à minha filha e ela conhece Skakespeare, se tem algum livro dele. Fico admirada e entro na conversa. – Bia, você já leu algum livro do Shakespeare, pergunto. E ela, muito satisfeita: Já, li Romeu e Julieta. Gostou? Volto a perguntar. E ela, mais satisfeita ainda: Muito!Bia é neta de Conceição da Fabilina, que trabalha comigo há muitos anos, que não lê e mal sabe assinar o nome. Os pais, muito novos, se separaram pouco depois de seu nascimento e ela mora com os bisavós maternos e estuda em uma escola pública na Ceilândia em tempo integral.Nem é preciso comentar o quanto uma escola pública de qualidade estabelece a diferença. E a escola pública para os mais pobres está mudando para melhor.

. Maria (o nome é fictício) também trabalhou para mim por algum tempo. Cozinheira de mão cheia fez aqui em casa jantares inesquecíveis. Cozinha tão bem que foi convidada para ministrar aulas em um programa do Serviço de Assistência Social, lá em Santa Maria. (O local de trabalho também é inventado, mas o fato é real). Pois bem, Maria sofreu um câncer no estômago. Depois de muito tempo conseguiu o diagnóstico. Depois de mais tempo ainda conseguiu ser operada. Agora precisaria complementar o tratamento com sessões de quimioterapia, o mais rapidamente possível. Até agora está à espera de um telefonema para uma entrevista no serviço específico.Não é preciso comentar a lástima que são os serviços de saúde. Se a escola é ruim, não permite o desenvolvimento das pessoas. Se os serviços de saúde são ruins as pessoas morrem à míngua.

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Uma opinião para “Curtas”

  1. Anônimo
    10/11/2012 at 21:01 #

    Histórias como a da Bia, só nos deixam felizes e nos fazem continuar acreditando que vale a pena investir em oportunidades que contribuam para a melhoria da educação por mais simples que pareçam