Julita

O que é a vida? Pra que serve? Quanto vale?

Perguntas essas que já me ocorreram tantas vezes. Dá pra encher muitas mãos e vão muito além da conta dos dedos. Perguntas que me deixam no limite entre a dúvida e o desespero, entre a euforia de estar bem e a desconfiança de nenhuma incerteza quanto ao desenlace. Não há garantias, esse é o nosso ancoradouro.

Muitos já se foram de tantas maneiras! Banais, insólitas, imprevistas, anunciadas, previsíveis. Enfim, nenhum ancoradouro é suficientemente seguro para amarrar nosso viver e torna-lo eterno, posto que é chama.

E se fôssemos eternos seria menor nossa aflição? Em se sabendo eterno que tormentas nos avassalariam? Haveria tormentos, se o tempo, inesgotável, não nos apontasse para a finitude à qual estamos destinados?

Como veem sou só questões e questões, nesse princípio de ano. Questões sem respostas… donde se conclui que estou mergulhada em águas profundas e densas nas quais não posso, não consigo, não sei nadar de braçadas…

Preocupa-me a questão dos emigrantes!!! Deixaram tudo pra trás, sua identidade e suas circunstâncias, seu futuro e anseios, esperanças e construções não só de suas vidas mas da vida de seus países. Largaram tudo. Quanto desespero! E se arriscaram a morrer buscando um novo, desconhecido, talvez tão excludente e cruel, apenas diferente, daquele que não mais lhe ofereceram um mínimo de sustentação em que pudessem viver suas vidinhas simples e corriqueiras como as de todos nós: trabalhar, se divertir, descansar, comer bem e outras coisinhas que dão tanto prazer e nos fazem sentir eternos enquanto as desfrutamos.

Preocupa-me o lançamento de mísseis, o experimento com bombas. Mísseis lançados chegam ao alvo endereçado e abatem pessoas que simplesmente viajavam, de férias, a trabalho, e , simplesmente nada tinham a ver com nenhum lado da guerra.

Preocupa-me o desmatamento, a água, o tráfico. De drogas, de jovens para o sexo, de animais em extinção ou não, de escravos de nossa era contemporânea. O pouco caso, o descaso, o desperdício. Os desmandos. Qualquer que seja, do sujeito anônimo que joga a ponta de cigarro pela janela do carro aos líderes de qualquer casta ou poder movido por um narcisismo de morte.

Chego a sentir repulsa por tanto desvario e em tudo e cada uma dessas preocupações vejo, constato e me dou conta do tanto de desamor, de desprezo, de ganância, de inveja, que nos habita. Por baixo da diplomacia, a rivalidade latente ; das palavras bonitas , a indiferença; do formalismo , o descaso.

E, assim no confundimos: as boas ações (serão boas mesmo?), a justiça, a lei (são isentas?); os direitos funcionam independentes de cor, de raça ou credo para todos? Igualmente? Sem restrições.

Há tanto no que pensar! Há tanto o que fazer! Mais ainda, tanto o que pensar em como fazer. Nem sempre são as coisas mais leves que ocupam nosso pensamento. E se estão aí é por alguma razão e não são um beco sem saída…

 

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