Julita

Feriado, pra que te quero

Se bem que o que poderia ter sido um feriadão, foi um simples feriado, ou nem isso, um sábado com cara de domingo, mas sempre me ocorre pensar  sobre esse lusco-fusco que foi sendo construído em torno dele: o feriado.

Noutros tempos, nem tão distante assim, feriado existia com outras conotações. E, fora a Semana Santa que era toda dedicada aos ritos da Paixão e Morte de Jesus Cristo, o feriado era um tempo  para não se fazer nada. Nada mesmo. Sem culpas, sem remorsos. Podia-se gastar o tempo ao bel-prazer de   cada um. Não existia um modelo preconcebido para seu uso, não era necessário planejá-lo com tanta antecedência e ter que cumpri-lo como uma missão. Tal como a felicidade, o lazer passou a ter características  bem definidas, específicas e reconhecidas como tais. Há que se programar o lazer senão corre-se o risco de perdê-lo. Via de mão única e nada de inventar moda…

Lazer, diz o Aurélio, é descanso, folga. Tempo disponível! Uma preciosidade, convenhamos – tempo. Mais ainda tempo disponível para horas sem compromissos, sem agenda, sem obrigações. Passeios, conversa rolando solta, preguiça. Fazer só o que se quiser. Ah! Que delícia.

Ironia do destino virou obrigação também. Esse delicioso tempo disponível agora deve vir carimbado com uma intensa programação para provar que a felicidade existe porque nos divertimos, vamos a lugares nunca dantes visitados, comemos pratos exóticos e tiramos muitas e muitas fotos, e conhecemos muitas   pessoas, as mais variadas, estranhas  com as quais jamais nos encontraremos depois. Etc. etc. etc.

Só mais um dúvida – esse tempo que se gasta nos engarrafamentos nas estradas, nos aeroportos  com suas intermináveis filas, todas essas torturas modernas, fazem parte do pacote de lazer?

Que jeito de ser feliz e de se divertir cansativo e repetitivo, pelo menos pra mim que quase sempre prefiro a contramão, aproveitar o feriado sem muita premeditação e de preferência bem quietinha para  não apressá-lo a se findar.

Feriado, pra que te quero?

Para o ócio, eis para que te quero, ó feriado!

 

Postado em 13/9/2012

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