Julita

…esse finzinho de ano-novo

Uma amiga, muito querida, me telefona desejando um feliz 2015. Nossa conversa transcorreu amena e prazerosa fazendo jus a essa quase euforia que nos acompanha nesses primeiros dias do novo ano. Aproveite bem esse finzinho de ano-novo, diz-me entre outros votos.

Desliguei o telefone, mas a frase ficou no ar – esse finzinho de ano-novo. Sei que ela se referia a esses diazinhos imprensados entre os festejos e o fim de semana em seguida que têm cara, cheiro e sensação de férias. Mas não são férias, apenas um feriadão.
O que escutei porém soou como um ultimato mas não tinha nada a ver com isso. Esse finzinho de ano-novo seria mesmo o quê? Como assim? Um paradoxo, no mínimo uma contradição, o ano-novo envelhece, rapidamente, em poucos dias?

De vez em quando a frase ressoava, se fazia ouvir, agora nítida. De tal forma que hoje acordei, ou melhor, ela me acordou. Aqui estou sob seu efeito. De frases, gosto muito. Acho que resumem um alumbramento. Ocorrem depois de tantas ruminações, elaborações, de idas e vindas do nosso pensamento, de repetições sobre o mesmo tema, e, no entanto, surgem como que de surpresa, paridas sem maior esforço. De um frescor de causar inveja aos desavisados.

Como faço agora, em geral persigo o que me chama à atenção e cascavilho o que escuto, vejo ou sinto pois o que escuto, vejo ou sinto não são para serem desprezados, postos à margem. Não foi à toa que escutei essa frase preciosa, o finzinho do ano-novo.
Pensando bem acho que ela casa com o que venho sentindo de uns natais pra cá. Cada vez com mais impaciência aguardo o dia de Reis, tão esquecidos e pouco festejados, como já disse num outro escrito.

Por que a impaciência se tudo ainda é tão festivo?
Que pressa, que impaciência é essa?

Aproveite esse finzinho de ano-novo, aconselhou-me minha amiga. Palavras sábias de quem sabe dessa alegria quase eufórica, mistura de descompromisso e prazer, borbulhante como champanhe nas taças, e, sabe também do valor e do sabor dessas gotinhas de felicidade impregnadas nesses momentos, e de que é preciso aproveitá-los.

Mas, e a impaciência em desmontar o cenário das festas, desfazer os arranjos, desmanchar, guardar os enfeites, os cartões , etc, etc,etc. Por que?
Talvez, quem sabe, com o dia de Reis chegue a certeza de que é preciso mais. O ano já se vestiu de compromissos e projetos demandando outras coisas que não somente festa. Penso que eles, os Reis Magos, significam essa tenacidade em acreditar no longínquo brilho de uma estrela, essa coragem em persistir sem desistir.
O ano-novo é novo apenas por uns dias.

Julita.

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