Julita

Envelhecer, eis a questão….

Outro dia éramos todos jovens.

Outro dia éramos todos vivos.

Outro dia o futuro era tão longo, algo a perder de vista e tão enigmático como as curvas da Estrada de Santos. Não sabíamos aonde iríamos ancorar nossos sonhos e batimentos cardíacos, cheios de paixão e altos e baixos, depois que a banda passou cantando coisas de amor.

O que fazer com tanta expectativa, com tanta ilusão e tantas questões? Principalmente, nós mulheres a quem exigiam mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, que começávamos a nos desgarrar dos pesados fardos de ser apenas uma mulher.

Outro dia. Tempo, tempo, tempo. Dia de sol, festa de luz e o café da manhã só pra nós dois. Uma calça velha, azul e desbotada era quase um desejo tanto quanto o apesar de você amanhã há de ser outro dia.

O primeiro amor passou, o segundo amor passou mas o amor permanece.

Tudo aconteceu outro dia, os amores, a ideologia, os sonhos e as reviravoltas, não mais da estrada de Santos, mas nas ruelas e becos sem saída com que tantas vezes fomos surpreendidas pelos anos de chumbo ou pelas armadilhas da sorte.

Os caracóis de nossos cabelos ficando grisalhos, perdendo volume mas não a vontade de ficar só mais um instante. Bem que se quis depois de tudo ainda ser feliz. E ainda quero. É pau, é pedra mas não é o fim do caminho e se lá fora bailam corujas e pirilampos dentro de mim, eu sei, o sol há de brilhar mais uma vez e outras mais antes de se pôr.
Julita.

Uma opinião para “Envelhecer, eis a questão….”

  1. Cléa Sá
    Cléa Sá
    09/03/2015 at 18:55 #

    Linda crônica. De ler sorrindo, mas com olhos marejados