Julita

Conformismo, que nada!

Já saíndo do supermercado ouço de uma senhora, conversando com uma outra, a seguinte fala: a coisa melhor que meu marido me deixou, confesso que diminuí o passo, foi me fazer aprender a dirigir. Confesso também que voltei pra dar uma olhada, não resistí. Só resistí mesmo em me meter na conversa e perguntar se o marido também aprendera por ela…

Saí de lá com a frase ressoando em meus ouvidos, entre perplexa e conformada. Será que é possível sentir-se assim tão contraditória diante de uma simples frase escutada de uma conversa alheia?

Acho que sim.

Perplexa, ao me deparar com uma mulher contemporânea – seu modo de vestir, a saia pouco abaixo dos joelhos, as sandálias de salto anabela, mostravam um estilo atual – mesmo quase setentona, que não se apropriara de uma escolha e, mais significativamente ainda, de uma conquista. Poderia, sigo pensando, ter escolhido não dirigir, ou, quem sabe, inconscientemente, sem saber por quê, se boicotar, criando dificuldades e obstáculos que lhe impedissem de efetuar as provas e se habilitar como motorista. Ela aprendeu a dirigir mas não apreendeu sua autonomia, menos ainda, não vislumbrou nenhuma liberdade de escolha em sua atitude.

Que pena! Foi aí que me dei conta de como ando conformista, atualmente, em não tentar  convencer ninguém de nada, falar, dar opiniões, esclarecer sobre a necessidade de se implicar nem que seja um pouquinho só com seus próprios atos e as consequências deles em sua vida. Num só depois de tempo vivido, de experimentar frustrações e desentendimentos descobrí que era a mim que isso incomodava. O que considero não se levar a sério só vale para mim, não é necessariamente a mesma coisa para os outros. E, cada um é que sabe a dor e a delícia de ser o que é. Não é assim que diz a letra da música de…, De quem mesmo?

Não que fizesse alguma militância – política ou de gênero ou qualquer outra. Mas, se houvesse oportunidade

não guardava só pra mim as descobertas.

Que desperdício!

Ingenuidade? Talvez. Arrogância? Sem dúvida.

E as descobertas, que faço com elas? A verdade é que não resistí e voltei para dar  uma olhada. Deixo com vocês essa perplexidade.

 

4 Responses para “Conformismo, que nada!”

  1. Regina Motta
    Regina Motta
    16/04/2013 at 20:01 #

    julita, desculpe as falhas de digitação. Acho que foi fruto da minha indignação!

  2. Regina Motta
    Regina Motta
    16/04/2013 at 20:00 #

    julita, desculpe asa falhas de digitação! acho q

  3. Regina Motta
    Regina Motta
    16/04/2013 at 19:59 #

    Julita, ótima anjnálise da situação.
    E que pena que o marido deixou que ela aprendesse a dirigir um carro e naõ a própria vida!
    E é tão comum!!!!

  4. zita de moura leal
    16/04/2013 at 19:24 #

    O texto de Julita me fez pensar