Julita

Conversa

Sabe aquela outra? Pois é, nos encontramos, aleatoriamente, outro dia. Nem tão aleatoriamente, para falar a verdade. A outra queixou-se e queixou-se. Mostrou-se muito desarvorada a princípio, depois começou a destilar sua raiva, o que me assustou. Ainda mais que era dirigida a mim, Julita.

Perguntou-me por que a criei se não lhe dava voz e autonomia para trazer certos assuntos à baila. Lembranças de infância, por exemplo. Afinal somos uma só, as três, disse-me desafiadoramente.

Respondi-lhe que estava enganada e que suas lembranças, as nossas, seriam bem-vindas. Era apenas uma questão de momento. Nesse momento estava mais interessada em acontecimentos, fatos, e não no passado, em divagações ou lembranças. Talvez fosse a primavera que da mesma maneira que faz brotar as flores, arranca de nós as reminiscências e nos faz acreditar no novo e na paixão. Talvez o inverno e o outono sejam mais propícios às reminiscências…

Claro que ela não se deu por satisfeita e nem eu e nem Julita, que também não passa  de um pseudônimo. Julita mais ponderada, mas a outra, tão infantil em suas queixas!

Então … Então era isso, como não pensara nisso antes… Estavam ciumentas, invejosas mesmo do espaço que eu, a que se esconde sob o nome de Julita, disponho para escrever, dizer o que  penso e quero.  E, de posse dessa descoberta, um pensamento cruel atravessou minha mente  trazendo- me um sorriso de vitória  aos lábios. Da próxima vez vou postar algo que considero, de fato, um escrito meu.

Elas que se matem de inveja.

 

 

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