Julita

2015, foi um dia um dia foi …

… e 2015 envelheceu abruptamente, surpreendentemente rápido, mais do que imaginei no meu último escrito. Fomos tomados, de surpresa? pelos atentados, pelas meninas usadas como explosivos, pela execução, justa ou injusta?, do brasileiro na Indonésia e outros tantos atos dos quais os jornais nos informam os mínimos detalhes trazendo opiniões diversificadas, divergentes, inteligentes, consequentes ou inconsequentes que me deixam à deriva como se estivesse em alto-mar sem bússola, metida num colete salva-vidas.

Leio, leio, ouço os comentários, ouço os debates sem, no entanto, encontrar um mote, um possível caminho, uma mínima fagulha de esperança e não de horror. Debato-me entre a falta de sentido para tanta barbárie e o entorno miserável que cerca a humanidade, empurrando-a para o não saber fazer outra coisa senão a violência.

Reservo-me o direito de não aderir ás manifestações, escuso-me da obrigatoriedade do óbvio- alinhar-me à esquerda ou à direita dos fatos, dos prós e dos contra de cada lado. Nem me colocar à margem ou no meio se isso significar não pensar, cruzar os braços, tapar os ouvidos, fechar os olhos e continuar vivendo minha vidinha, quanto mais segura, melhor. E, de boca calada.

Será que fazendo assim cessa todo esse estupor dentro de mim? Tenho certeza que não. E, se fora, tudo está latejante de retaliações, desordem, transgressões e caos, essa insistência aponta para algo muito catastrófico, talvez o pior.

A ciência e a tecnologia avançam criando para a humanidade condições de vida mais amenas e facilitadoras. No entanto, o ser humano, homem ou mulher, parece ainda guardar em sua essência essa animalidade. Mas, meu Deus, os animais não são insanos! Matam apenas para comer, não por vingança ou para que o outro não tenha!

O quê fazer, então para permitir esse avanço, em nós mesmo e no outro? Esse confronto que, no final das contas não passa de um confronto com nosso limite enquanto assujeitar-se ou não à irracionalidade, e ao desvario.

Enquanto fui tecendo esse texto muitas outras atrocidades foram acontecendo como a morte do piloto, feito refém e queimado vivo e suas imagens distribuídas fartamente nas redes sócias. Até onde vamos com isso ou o que é isso, alguém sabe?

Não menos atroz é a questão da corrupção, da água e da energia, do que é escondido de nós cidadãos, dos estragos, desperdícios e nenhum cuidado com nada.

Os mesmos problemas de sempre.

E Renan Calheiros reeleito pela terceira vez para seu quarto mandato à frente do Senado…

Quer coisa mais velha do que essa logo no comecinho do ano?

Sem comentários ainda.