Cléa Sá

Livros e leitura

Tenho lido e ouvido com frequência se falar no fim dos jornais escritos em papel. Grandes jornais estão falindo e fechando nos Estados Unidos em razão da crise. Outros estão migrando para a internet, sob nova forma. Aqui os jornais ainda parecem firmes, mas sempre deixando muito a desejar. No momento, minha preferência é pela internet. Leio rapidamente as notícias e me passo para os blogs, muitos e para todos os gostos. Tenho os meus preferidos, que visito quase todos os dias. Ouço falar também dos livros eletrônicos que estão surgindo e dizem que o futuro está neles. Talvez. Creio que para as novas gerações. Umberto Eco, numa entrevista que li há poucos dias, tem ótimos argumentos em favor do livro de papel. Infelizmente não os gravei para poder repetir agora, mas eles me consolaram e me deram esperança, pois a minha geração é a do velho livro de papel.  Amo livros, apaixonadamente. Gosto de ler, mas gosto também de manusear os livros, sentir seu cheiro, observar a edição, as capas, o papel, as gravuras. Quando estou triste, é nos livros que encontro consolo. Pego um, tiro a poeira, leio ou releio pequenos trechos, arrumo minhas estantes. E até sei de onde vem esse gosto. Minha mãe, que quando eu nasci tinha apenas dezenove anos, gostava muito de ler e me contava que, ao me amamentar, pegava um livro e se perdia na leitura enquanto eu sugava o seu peito, dormia, acordava e mamava novamente. Creio que com o leite eu bebi também o gosto pelos livros.  Nós morávamos no interior do Maranhão onde livrarias e bibliotecas não existiam. Assim, os livros chegavam para ela por reembolso postal. Não lembro como ela os encomendava. Mas lembro de pacotes chegando e ela os abrindo com verdadeira devoção.  Quando meu pai ia a São Luís, na volta trazia livros para eles, pois ele também gostava de ler, e para nós, crianças, livros da “Biblioteca Infantil”, uma coleção de livros pequenos com as histórias de fadas, essas que todos nós conhecemos. Depois, vieram outros. Lembro quando ganhamos um que foi um deslumbramento: Tarzan na selva. Foi quando entramos no mundo das aventuras. Mas deixemos os livros por ora. Volto à minha mãe a quem devo esse presente inestimável, o amor pela leitura, entre outros muitos presentes que ela me deu na vida.

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