Poesia

Um burro passa devagar, um cachorro passa devagar. Êta, vida besta, meu Deus! Drummond de Andrade e outros tantos…

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Meu pai lavrava com charrua e cavalo. Os ombros redondos como velas pandos Entre os varais e o sulco. Bastava um estalo De língua e os cavalos iam forcejando. Um conhecedor. Colocava a travessa E ajustava a relha de aço agudo e vivo. Rolavam sem quebrar os torrões de terra. Na borda do campo, a […]

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O tempo

Costumávamos observar os pássaros; agora observamos o tempo. Nuvens brancas, felpudas como travesseiros, outras cinzentas como polegares gigantes, outras escuras, gordas de destruição. Outrora não nos importávamos. Tínhamos guarda-chuvas, e quartos. Mas enquanto olhávamos em outra direção, para guerras ou distrações variadas, o tempo se esgueirou por trás de nós como uma cobra ou um […]

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O TERRORISTA, ELE OBSERVA

Wislawa Szymborska A bomba explodirá no bar às treze e vinte. Agora são apenas treze e dezesseis. Alguns terão ainda tempo para entrar; alguns, para sair. O terrorista já está do outro lado da rua. A distância o protege de qualquer perigo. E, bom, é como assistir a um filme. Uma mulher de casaco amarelo, […]

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Um poema de Hilda Hist

Morte, minha irmã: Que se faça mais tarde a tua visita. Agora nunca. Porque o amor de Túlio O vermelho da vida, pela primeira vez Se anuncia fecundo. Diante da luz do sol O meu rosto noturno de poeta te suplica Que te demores muito contemplando o mundo Que te detenhas ali, entre a roseira […]

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O DOM

O DOM Ela sonhava sempre três realidades. Era assim: numa, o marido caía e quebrava o braço. Na outra caía e não quebrava o braço. E na terceira não caía, mas dançava. Ao acordar ela escrevia duas das versões e estas não aconteciam. O não escrito virava realidade. Um dia sonhou que um gato na […]

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Alma minha gentil, que te partiste

Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, Memória desta vida se consente, Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode […]

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Labirinto

Maria Luiza Pires Mendonça Este ser todo amor que não sou eu, está aqui o lado meu: quer saber o quanto valho. Quer saber do meu valor. Quer saber do tono, o grado tenaz em que estou. Quer saber dos planos meus. Se conheço algum atalho Que encurte meus passos. Se conheço as leis de […]

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Sonho

Porta entreaberta de um reino que emerge e não se firma fimbria de um vestido uma mulher passa e soluça ao vento é o vento que soluça enquanto a mulher passa ? esparças nuvens traços rarefeitos Quem soluça? Alguém suspira? Não há como agarrar a névoa a neblina que se desfaz ao ligeiro mover na […]

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Dois poemas de Juan Gelman

claro que morrerei claro que morrerei e hão-de levar-me em ossos ou cinzas e dirão palavras e cinzas e eu hei-de morrer totalmente claro que isto acabará minhas mãos pelas tuas alimentadas hão-de pensar-se de novo na humidade da terra eu cá não quero caixão nem roupa que o barro aceite minha cabeça e que […]

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Desejos

Desejo a vocês… Fruto do mato Cheiro de jardim Namoro no portão Domingo sem chuva Segunda sem mau humor Sábado com seu amor Filme do Carlitos Chope com amigos Crônica de Rubem Braga Viver sem inimigos Filme antigo na TV Ter uma pessoa especial E que ela goste de você Música de Tom com letra […]

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