O Sertão de cada um RSS para esta seção

O POETA E A CIDADE

Por Aloísio Brandão. O dia mal amanhecia, quando botamos os pés na calçada de casa. Uma emoção tomou-me pelos nós da espinha, quando deixei a bolsa de viagem e bati palmas à porta. Não demorou e o rosto iluminado do meu velho apareceu na portinhola. Veio nos receber com um riso que ia de orelha […]

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NA LUA

Por Aloísio Brandão. A rotina, leve e imune a sobressaltos, era praticamente a mesma, por anos, na velha e pequena Santana dos Brejos. Novidades não entravam, ali, como se temessem envelhecer, antes de atravessar a fronteira da cidade. Mas tudo era de um igual diferente, porque nada, em verdade, se repetia, propriamente. De diferente mesmo, […]

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“MARGARIDA”, UM ACONTECIMENTO NO RÁDIO DO MEU PAI

Por Aloísio Brandão. Meu pai ocupara-se, por horas, com aquela função de levar o enorme e todo remendado fio que saía de trás do seu rádio Philips, a válvula, para o quintal. Dizia estar preparando-se para um “grande acontecimento”, à noite. Ao ganhar o quintal, o fio lançava-se por um sabugueiro e voltava ao telhado, […]

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AS LAPINHAS

Escrito por Aloísio Brandão. O carro de boi de Mané Oco mal acabara de parar em frente à casa de D. Maroca de Zé Isca, perto da Igreja do Perpétuo Socorro, e uma meninada (eu no meio) saltitante, curiosa e feliz acumulara-se sobre a calçada, atraída pelo sinal de que, ali, iniciava-se um acontecimento, naquela […]

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O JAPONÊS

Por Aloísio Brandão.   Da pensão de D. Mariinha Coelho, localizada à Praça da Bandeira, via-se, à direita, a Igrejinha do Perpétuo Socorro e o largo inteiro, com seu casario tímido, geminado, com fachadas exatamente iguais: uma porta e quatro janelas e telhados escurecidos pelo mofo e picumã acumulados, ao longo de décadas. As calçadas, […]

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O canto de João

Por Aloísio Brandão. O velho ônibus deu partida, sacolejou, ganhou velocidade e foi deixando Brasília para trás em direção a Santana dos Brejos, a 670 quilômetros Nordeste adentro. Era uma manhã meio fria e seca de início de Julho de 2006. Conheço este estradão de cor e salteado. São 33 anos indo e vindo, no […]

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Eternamente, onça

Por Aloísio Brandão. ▪ Aos meus amigos Álvaro Russo Kassab e Celso Adolfo, que incorporaram onças na alma e ficaram oncificados na grandeza de suas sensibilidades. A nesga de sol que rebentou, na manhã daquela segunda-feira de dezembro de 1965, foi o fato mais alvissareiro daquelas águas. Enfim, uma trégua na chuvarada. Velhos muros de […]

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Uma sanfona na noite

Escrito por Aloísio Brandão. Aloísio Brandão Ao poeta e compositor Climério Ferreira, que me ensinou a ouvir sanfona até onde ela não existe. A primeira noite, em nossa nova casa, na Rua Padre Aurélio, foi tomada por encantamentos, e nos despertou um orgulho desmedido. Papai levara uns dois anos para construí-la, tijolo por tijolo, sob […]

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O circo que não estreou

Por Aloísio Brandão. Aquele alvoroço de meninos serelepes e curiosos, de pés descalços, nus da cintura para cima, num vai-e-vem sem fim, não indicaria mesmo outra coisa que não o surgimento de alguma novidade dessas que punham a pequena e velha Santana dos Brejos, no sertão da Bahia, num movimento vibratório anormal. Naqueles idos de […]

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